quarta-feira, 12 de julho de 2017

Tese sobre militância petista é defendida na Universidade Federal de Santa Catarina

A tese “Participação de Alta Intensidade e Militantismo dos Filiados de Base do PT no Brasil”, elaborada pelo membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo – presidida por Dilma Rousseff – José Roberto Paludo, de Santa Catarina, orientada pelo professor doutor Julian Borba, foi defendida na manhã desta sexta-feira (31), no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis. A tese, que é requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Sociologia Política “está inserida no campo da Ciência Política e articulada a uma agenda de pesquisas em torno das atitudes e do comportamento político da cidadania, especificamente no que se refere ao partidarismo no Brasil”.

Paludo conta que a avaliação foi positiva e que isso se deve ao esforço de realizar uma pesquisa quantitativa e qualitativa, utilizando aportes teóricos diferentes – relacionados à literatura sobre participação e partidarismo e à Sociologia do Militantismo, ressaltando a produção de dados novos e trabalhando a militância como algo único.

“A tese traz dados novos e demonstra que para falar da militância existem diversos aspectos que os diferenciam um dos outros, como tempo de filiação e de idade, que são determinantes para explicar a intensidade de participação. Ela também levanta uma discussão sobre o que o partido precisa pensar na sua base, de como existem diversas ações e decisões políticas possíveis de se fazer para aumentar o engajamento dos filiados”, explicou.

PARTICIPAÇÃO DE ALTA INTENSIDADE E MILITANTISMO DOS FILIADOS DE BASE DO PT NO BRASIL

RESUMO

A presente tese está inserida no campo da Ciência Política, articulada a uma agenda de pesquisas em torno das atitudes e do comportamento político da cidadania, especificamente no que se refere ao partidarismo no Brasil. Considerado o destaque do Partido dos Trabalhadores (PT) entre as legendas nacionais em se tratando de aspectos como organização institucional, relação com o eleitorado e relevância no sistema partidário, o problema de pesquisa analisado foi a intensidade da participação da base de filiados do referido partido, pois, ainda que o petismo seja um tema bastante estudado, há lacunas tanto com relação à intensidade de participação quanto no que diz respeito à base dos filiados, tomada como objeto empírico. Para tanto, foram mobilizados aportes teóricos relacionados à literatura sobre participação e partidarismo e à Sociologia do Militantismo, bem como realizadas pesquisas de campo e análises de natureza quantitativa e qualitativa. A hipótese de pesquisa foi de que a intensidade de participação dos petistas se explica pelos recursos individuais e habilidades cívicas adquiridas no processo de socialização, combinados com retribuições simbólicas e materiais, de modo que a trajetória dos filiados, representada pelas dimensões de tempo de filiação e idade, seriam dimensões determinantes para explicar a variação da intensidade de participação. Em se tratando de resultados, a análise do banco de dados composto por uma amostra representativa da base de filiados ao PT permitiu confirmar a hipótese de que as variáveis de tempo de filiação e de idade são determinante para explicar a intensidade de participação (IP). Ademais, a análise das entrevistas permitiu aprofundar os resultados quantitativos, bem como tratar também de desfiliados à legenda, não incluídos na pesquisa quantitativa e considerado perfil relevante ao objetivo desta tese, o que possibilitou a compreensão sobre as conexões entre as diferentes dimensões da trajetória militante no processo de construção de distintos níveis de engajamento e a intensidade da participação dos indivíduos no PT. Diante do exposto, pode-se afirmar que a trajetórias dos militantes explica as diferenças de intensidade no momento atual, considerando-se os recursos individuais, o processo de socialização e a carreira militante, diante das transformações de cada fase do petismo e das especificidades de cada contexto.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Avaliação Histórica da MS, do Congresso do PT e Expectativas Futuras

Buscamos, através deste documento, alguns objetivos centrais: o primeiro deles é proporcionar à base da Militância Socialista um ponto de partida para avaliarmos nossos resultados no último congresso do PT-SC, ou seja, uma base comum de narrativa que esteja o mais próximo possível dos fatos que nortearam nossa atuação e seus resultados;  o segundo objetivo é garantirmos uma breve linha do tempo da nossa atuação enquanto força política dentro do Partido, pois, é significativo o grande número de novos militantes que se interessam por um histórico do que somos, do que fizemos e daquilo que nos propomos; e, por fim, a partir do resultado do Congresso Estadual e Nacional, precisamos garantir uma dinâmica entre a teoria e a prática e que isto nos fortaleça externa e internamente e nos proporcione um crescimento qualitativo e incidência na luta política com maior capacidade de transformação, dentro e fora do Partido dos Trabalhadores.


A MS no contexto histórico do PT

Para avaliar o Congresso Estadual do Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina, nós, que reivindicamos a tradição socialista da práxis política, dos críticos e dialéticos, dos que defendem serem os fatos ou fenômenos sociais, produtos ou resultados, conflitantes ou não, das ações das pessoas que vivem em diferentes classes, grupos e segmentos sociais, historicamente localizados, não podemos prescindir que a avaliação do resultado do Congresso Estadual do PT-SC seja fruto de um processo histórico e dialético.

O PT nasce da necessidade da luta de classes a partir do protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras.  Nasce da crítica ao sistema capitalista, ao regime imposto e ditatorial, na luta diária contra a exploração e também da crítica ao modelo dos partidos socialistas burocratizados.

Atestando para o fato da necessidade de um partido popular e de massa, que unificasse as lutas isoladas e garantisse uma ferramenta de transformação social buscando ser a hegemonia libertadora.

Desde o seu surgimento o PT teve um crescimento vertiginoso, com muita luta para garantir que sua mensagem chegasse aos corações e mentes do povo brasileiro, sofrendo os inúmeros ataques do poder ideológico (midiático), do poder econômico, das oligarquias políticas que têm desde então como “natural” sua condição de representantes do povo.

O modelo de organização partidária petista, na sua origem, buscou combinar três frentes de atuação: a disputa institucional através de eleições, o engajamento dos militantes, o fortalecimentos dos movimentos sociais e sindical e a organização interna ao partido.

Disputamos várias prefeituras, perdemos e ganhamos, disputamos governos estaduais, perdemos e ganhamos, disputamos as cadeiras no legislativo e fomos ocupando espaços institucionais. Perdendo ou ganhando, o PT foi se fortalecendo em cada embate. Nos governos, fomos construindo os modos petistas de legislar e governar, o que resultou em uma identidade no campo da disputa eleitoral.

No cenário dos movimentos sociais e sindical o PT conseguiu durante um longo período preeminência, o vínculo com o povo, com os trabalhadores e com maior precisão na orientação estratégica, alcançou o posto maior da República, a Presidência, com a figura central de representação simbólica da classe trabalhadora brasileira: Luiz Inácio Lula da Silva.

Na presidência, quebramos o paradigma neoliberal, invertemos as prioridades, apostamos na soberania, no combate a fome, no desenvolvimento de um mercado interno forte, ganhamos notoriedade e maior legitimidade e alcançamos patamares de aprovação jamais vistos com Lula e Dilma.

No cenário da construção partidária, com o fim da ditadura militar, as visões estratégicas sobre o futuro do partido começaram a acentuar as divergências internas. Acertadamente, no início da década de 90, o PT garantiu estatutariamente as tendências como forma a organização interna, resguardando dessa forma, a pluralidade de ideias e ao mesmo tempo a unidade necessária para os objetivos mais gerais.

No campo das disputas internas é possível destacar que a partir de 1989, com a chance real do PT vir a ser governo federal, as estratégias se voltaram com maior densidade à disputa eleitoral. Em 1994, depois de termos sofrido outra derrota no campo eleitoral, o PT inicia um processo de remodelamento interno focado cada vez mais a disputa institucional.

Já nesse período, internamente ganham maior notoriedade e poder de decisão os companheiros que ocupavam cargos eletivos e com maior densidade nas urnas. Começamos a observar o início de um descompasso entre um partido democrático, popular e de massas, orientado por decisões políticas a partir das instâncias concebidas pela resistência da classe trabalhadora, e entre um partido onde a “burocratização” e as decisões centralizadas, de cima para baixo, começa a ter lugar de destaque.

Para esse novo momento partidário de acomodação, com vistas a alcançar o objetivo central no campo da disputa eleitoral abriu-se espaço para naturalização das decisões unilaterais e um campo majoritário vai se consolidando, concebido  a partir da articulação de algumas tendências internas e que desde a década de 90 hegemoniza o partido.

Com erros e acertos, o partido avança inquestionavelmente, contudo, com dificuldades em ultrapassar os limites que o “Estado Herdado” nos impunha.

As estratégias voltadas para a quebra de paradigmas e aprofundamento das reformas radicais no campo da luta de classes foram sendo relegadas a um segundo plano, as eleições, mesmo sendo uma parte importante da disputa pela hegemonia, começam a virar um fim em si mesmas.

Para a execução de seus objetivos, esse campo majoritário vai realizando reformas estatutárias que irão adequar o partido para essa “nova realidade”. Os espaços de reflexão e reordenamento da atuação partidária são cada vez menores, mesmo as resoluções aprovadas nos momentos congressuais, só irão se viabilizar com a aprovação da cúpula partidária.  A flexibilização nos critérios de filiação e o Processo de Eleições Diretas (PED) para a escolha das direções partidárias garantiram o funcionamento deste modelo.
Se por um lado estávamos ganhando terreno a partir dessa estratégia, por outro lado, a mesma não garantiu a permanência dos avanços conquistados, consequência do abandono da perspectiva de hegemonia a partir da orientação da luta de classes.
Felizmente, o PT comporta diversas linhas de pensamento, minoritariamente temos as tendências que fazem as críticas a esse modelo de organização do campo majoritário e procuram dar voz ao pensamento plural e a mudança de rumos no partido.

A MS compõe um destes blocos minoritários que busca atuar na perspectiva dialética dentro do PT.  Surgimos no ano de 2008 da junção de vários agrupamentos regionais que não se sentiam representados pelas tendências em nível nacional.

Em 2005, após a reforma da previdência ocorrida durante o governo do Presidente Lula, uma das tendências internas que havia recentemente disputado a direção nacional do PT desfiliou-se em bloco para formar o PSOL, enquanto alguns companheiros seguiram compondo com os remanescentes que continuaram resistindo dentro do petismo.

Nós, em Santa Catarina, havíamos protagonizado uma trajetória como um dos poucos estados com hegemonia de esquerda petista ao longo dos anos de 1990 e início dos anos 2000, formando uma maioria interna e ocupando os espaços de destaque nas disputas majoritárias estaduais, através da Articulação de Esquerda.

Ao longo deste período fomos acumulando divergências com o campo majoritário nacional aqui no estado (que havia eleito a senadora por SC em 2002). Estes atuaram continuamente para aprofundar as rivalidades entre os principais quadros políticos daquela tendência de esquerda que era maioria na direção no estado de Santa Catarina.

Isso resultou num processo interno de divisão da AE, e na disputa fomos derrotados (por práticas pouco recomendáveis), porém, saímos de cabeça erguida e dispostos a recomeçar nossa trajetória.

Em 2006 criamos a Esquerda Socialista, uma nova tendência regional que existia apenas em Santa Catarina. Disputamos o PED 2007 com chapa pura, fomos para o segundo turno e perdemos a eleição por pouco mais de 200 votos contra todas as demais forças unificadas.

Desde o início buscamos novas formas de diálogo nacional e encontramos nos remanescentes da Força Socialista e posteriormente EPS, uma identidade política, ideológica e organizativa capaz de nos unificar.

Somou-se a nós um grupo de ecossocialistas, com quem sempre tivemos grande simpatia e assim, depois de quase quatro anos de diálogo e atuação conjunta, surgiu nacionalmente a MS, uma tendência SOCIALISTA, HUMANISTA e ECOSSOCIALISTA.

Enquanto MS, acreditamos num Partido que contenha os elementos primordiais e combativos dos trabalhadores, que compreenda as realidades geracionais e que atuem nas várias frentes reivindicatórias. Um partido que esteja estreitamente ligados às massas, um partido que cultive a mais ampla democracia interna, com seus organismos de direção eleitos através de delegados de cada organização partidária, que aplique unitariamente a política votada pela maioria, um partido que faça a fusão do socialismo científico com a experiência do movimento operário, ou seja, que faça o casamento das conquistas filosóficas e científicas da humanidade com o movimento de rebeldia espontânea da classe operária, um partido dirigente que saiba o que fazer em momentos de crise.

Aqui em Santa Catarina, muitos dos que hoje são MS romperam com a Articulação de Esquerda por discordância do método de organização. Diferentemente do Brasil, onde a corrente majoritária tinha hegemonia na maioria dos estados, aqui, mantivemos a estratégia de organização partidária buscando prioritariamente a consonância com os movimentos sociais, uma prática à esquerda e uma estratégia eleitoral que nos distinguia dos nossos principais adversários, ou seja, as oligarquias estaduais e suas redes de poder em cada município. A esquerda do PT hegemonizou-se na política e numericamente até o ano de 2007.

Desse período em diante, os principais protagonistas que promoveram a divisão da esquerda petista no estado foram apoiados pelos representantes do campo majoritário nacional para disputar contra a MS, especialmente a presidência do PT de SC. Assim foi no PED em 2007, 2009 e até 2013.

A partir de então nós, da esquerda do PT, perdemos hegemonia no estado. Ainda que tenhamos eleito o presidente do PT, este exerceu seu mandato sem a maioria da direção.

Mesmo não sendo mais a maioria na direção do PT, a MS soube explorar a contradição existente no campo majoritário em SC, principalmente no período de definição de candidatura própria do PT nas eleições de 2014. No PED de 2013, por exemplo, parte do campo majoritário votaram conosco, na candidatura para presidente de Claudio Vignatti, com isso, voltamos a exercer a presidência do partido.

Em âmbito nacional, ainda que recente, nossa tendência vem garantindo representação no diretório e executiva, importante para a sobrevivência enquanto organização interna.

Santa Catarina sempre foi o estado com maior peso eleitoral nacionalmente. Além do que, tivemos representação parlamentar estadual e federal, candidaturas majoritárias e disputamos a presidência do PT.

Mesmo no período que não exercemos a presidência do PT catarinense tivemos atuação destacada pela capacidade de elaboração, de definição das pautas e na capacidade de organização e mobilização interna, vista como uma das grandes tendências do PT catarinense, a mais bem organizada e com o melhor nível de formação política.

Somos a única tendência que garantiu durante uma década, no período de 2007 até 2017, de forma disciplinada, um curso anual de formação política para nossos quadros, mobilizando intelectuais e militantes de todo o país das mais variadas áreas de atuação.

Avaliação da atuação da MS no Congresso estadual do PT de SC


A volta do Congresso Estadual e Nacional foi uma conquista do campo mais à esquerda do PT, processo se iniciou a partir do Bloco Muda PT.
Em consequência dos ataques sofridos pelo partido ao longo do período que esteve na presidência e com o golpe sofrido em 2016, o Partido dos Trabalhadores vive a maior crise da sua história. A apatia e a cegueira de direção política do Diretório Nacional, hegemonizado pelo campo majoritário refletiu-se nas severas críticas a nossa agremiação tanto interna como externamente.
O Muda PT avançou a partir do vácuo político deixado pela inoperância interna do campo majoritário.
A conquista da volta dos congressos, mesmo que não aparente uma mudança significativa que aprofunde nosso método e organização partidário, no campo do simbólico, foi uma vitória. O Muda PT contribuiu para uma acentuada revisão da estratégia da política geral do PT. As resoluções do Congresso, mais a esquerda e aberto a mudanças, dão conta dessa avaliação.
Aqui em Santa Catarina, no PED de 2017, no campo dos acordos das forças políticas tínhamos uma expectativa semelhante a de 2013 que pretendia um campo de atuação política com o horizonte na estratégia de enfrentamento às oligarquias, que não admitia a ideia de uma aliança com o PSD ou mesmo com o PMDB nas eleições de 2014. Todavia, naquele momento construímos uma chapa com outras forças políticas, neste PED nos apresentamos com uma chapa própria da MS.
Tal decisão partiu de uma avaliação política que observou erros cometidos no PED anterior, quando priorizarmos a disputa pela presidência do PT em detrimento da possibilidade de hegemonia da nossa política a partir da ocupação dos espaços na executiva. Elegemos presidente mas com minoria na executiva.
Com a chapa constituída para esse PED, decidimos pelo nome do companheiro Pedro Uczai para presidência. O critério para a escolha do nome foi o entendimento da conjuntura e a necessidade de disponibilizar nossos melhores quadros diante da maior crise vivida pelo PT, criada a partir da estratégia de cerco e aniquilamento imposta pelos nossos inimigos.
Nosso nome estava vinculado a perspectiva de enfrentamento nos momentos de crise, rearticulação do papel do partido como protagonista das lutas sociais e vislumbrando os grandes acontecimentos que estão por vir, visando uma direção partidária mais enérgica, com mais iniciativa e maior compreensão da realidade.
A partir daí buscamos manter unificado o mesmo bloco que venceu o PED 2013 (PCM, DS, Fortalecer) num diálogo em torno do nome do Pedro Uczai para presidente, com a preocupação de fazer do PED um momento de profunda reflexão e reorganização partidária, condizente com a tese que defendemos.
Um dilema aparece nas negociações para o congresso. De um lado, as candidaturas do Campo Majoritário e PCM incluíram em suas premissas para o debate do congresso que candidatura à presidência estivesse diretamente ligada à futura candidatura ao governo do Estado. Por outro lado, nós da MS em nenhum momento associamos a presidência do PT à candidatura ao governo do Estado em 2018, por vários motivos, dentre eles as experiências passadas nos mostraram que essa prática desestimula o comprometimento do conjunto partidário e os quadros com maior densidade eleitoral sentem-se desobrigados a contribuir no processo.
Em 2014 por exemplo, referendados pelo PED de 2013, seguimos com uma candidatura própria ao governo do estado, porém, nosso companheiro Vignatti ficou sozinho até dias antes das inscrições da chapa majoritária, o que só não ocorreu graças ao comprometimento partidário do companheiro Milton Mendes que colocou seu nome para concorrer ao Senado. A MS sozinha, mais uma vez teve que cumprir o papel de responsável pela condução de um projeto alternativo para Santa Catarina.
Outro motivo diz respeito a disputa interna para as vagas na Câmara Federal em 2018, atores de outras tendências buscavam maior viabilidade ou limpar os caminhos para uma possível vaga na Câmara Federal. Em tese, associar a presidência do PT à candidatura ao governo do estado estava diretamente ligado a táticas eleitorais de coletivos e figuras públicas e não necessariamente a uma estratégia do conjunto do partido.
O terceiro motivo é que entendemos as eleições de 2018 como decorrência da política implementada pela gestão eleita e o esgotamento de todas as tentativas de acordo para a unidade interna.
Chegamos ao Congresso Estadual como segunda maior força provando que apesar do momento de baixa na organização da tendência, com a política acertada e o esforços da nossa militância, dos nossos mandatos, nos apresentamos com expressiva mobilização, o que nos leva a crer que podemos crescer e nos mobilizarmos ainda mais.
A diferença numérica entre as três maiores chapas foi mínima, o Campo Majoritário esteve na primeira colocação e o Partido que Constrói Mudanças na terceira posição, a EPS, a DS, Fortalecer e Trabalho estiveram nas últimas colocações com números pouco expressivos.
Apesar da expectativa de um acordo das chapas que estiveram juntas em 2013, um erro de avaliação nosso influenciou o resultado do Congresso, as disputas acirradas entre CNB e PCM durante toda a gestão do PT, nos dava a convicção (mas sem provas) da impossibilidade de um acordo entre estas duas chapas. Assim, o que não prevíamos aconteceu, a discussão de 2018 permeou todo o debate do Congresso e o pragmatismo acentuado teve lugar de destaque.
Já na primeira votação da tese-guia, não percebemos os reais movimentos e a CNB retirou a sua tese em defesa da tese do PCM, uma inflexão para um possível acordo, com a clara intenção de não dar margem a uma inevitável derrota e criar um sentimento de vencidos. Na segunda votação sobre a permanência do PED, coerentemente votamos pelo fim do mesmo, já a CNB e PCM nos impuseram a primeira derrota votando pela manutenção do PED, o que nos evidenciou que a unidade entre as duas forças estava se consolidando.
Preliminarmente, nosso grande erro foi a ausência de uma postura mais incisiva, que apresentasse nitidamente nossa avaliação de todo o processo e nossa estratégia sobre o que fazer, ou seja: partido unido, responsabilidades compartilhadas e processos na escolha de nomes para a majoritária construído com a base petista e no conjunto de todas as forças.
A unificação da CNB e PCM se deu neste tabuleiro, levando juntamente para esse campo, tendências que tinham as mais variadas demandas, dentre elas, por exemplo, a obtenção de delegados para o congresso nacional do partido.
Destaque para a DS, que honrosamente manteve a coerência no discurso, candidatura a presidência e chapa para o diretório.
Sem desmerecer as demais forças políticas, nossa delegação surpreendeu quantitativa e qualitativamente no Congresso, apesar de pouco tempo de organização, fomos a delegação com maior intervenção em grupos de trabalho, com maior desenvoltura na defesa do socialismo petista e responsáveis por representar a esperança dos que aspiram uma consciência mais crítica e um partido de novo tipo. Mesmo observando as tratativas que caminhavam para mais do mesmo, da acomodação entre as necessidades táticas de grupos e figuras públicas, não nos sujeitamos a submeter toda a esperança depositada no Congresso, que estava para o petistas como o prelúdio de um novo tempo a uma falsa unidade. Queremos e precisamos ser os promotores de “um passo adiante” para deixar para trás o círculo vicioso e irresponsável em que o partido se submeteu, onde as verdades absolutas e falta de horizonte estratégico viraram a fina camada que encobre nossas mazelas teóricas e práticas.
Optamos pela luta aberta, mãos que se levantam, crachás erguidos e a sensação de vitória apesar da derrota numérica. Aumentamos nossa votação para além dos nossos delegados e muitos daqueles que não votaram em nossa candidatura à presidência sabiam que estavam sujeitos a um equívoco histórico a partir de um método de organização partidária em que o congresso tinha o dever de superar. A maior prova dessa constatação foi o sentimento das delegações depois da votação, de um lado o silêncio encabulado dos vencedores, de outro a força viva e barulhenta dos que sabiam exatamente a força do poder simbólico de uma atitude coerente e alinhada com a vontade de milhares de petistas que esperam tal sinal.
Essa postura nos coloca a responsabilidade de responder às expectativas de uma grande base partidária que estão para além dos mandatos eletivos, que fazem militância a partir de uma convicção ideológica fundamental, determinante e anseiam por respostas que sustentam sua atuação e que estejam para além das expectativas eleitorais das lideranças do partido.

Nosso futuro


O importante desse debate é concluirmos que temos futuro. Qual será nosso futuro depende da nossa atuação daqui por diante.
Entendemos que tivemos um ciclo importante da MS nacional e estadual e essa narrativa tem por objetivo refletir nossas práticas, analisar o cenário e seguir adiante.
Para dar sustentação a tese de um partido de novo tipo será preciso muita militância viva, com base social e ocupação de espaços.
Para construir uma nova prática no PT será preciso a convicção dos atuais filiados para fazer essa transição e atrair uma nova militância.
Tarefa hoje dos que se reivindicam a tradição do materialismo histórico e dialético é construir uma perspectiva socialista para um confronto cada vez mais eminente.
O conceito que a MS precisa estabelecer e que deve estar em toda a nossa orientação é de “um passo adiante”. Não temos que disputar quadros das outras tendências, mas de hegemonizar. Temos acúmulo na educação, qual nossa referência? Estamos sendo?
Qual nosso mapa estadualizado?
Disputa eleitoral e de mandatos é da vida, porém, como fazer esse debate interno de qualidade?
Atuar nas regiões com formação e organização, debate posterior ao Congresso.
2018 e 2020 muita angústia, na institucionalidade (eleição indireta, Lula candidato ou não), Lula deve conciliar congresso PT (seminário Estado Democrático de Direito com Lula hoje em Brasília), semana passada foi uma demonstração de uma possível ditadura, inclusive porque ninguém se legitima por eleições diretas. Correto defender Diretas Já.
Ato Diretas Já no RJ foi significativo e influenciou a política e pela cultura, transcende movimento partidário e social, muda alguns enquadramentos, tendência maior é para não ter 2018.
Esses e outros tópicos servem apenas como provocação do debate e assim queremos ouvir os companheiros e companheiras da MS.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

MS convoca militância a se engajar nas lutas de março

Este ano será importante para o campo de esquerda e as lutas futuras no Brasil. O PT liderou uma trajetória de grandes enfrentamentos sociais e políticos da esquerda brasileira nas décadas de 1980 e 1990 até chegar à frente do governo federal em 2002. A partir daí viveu-se um novo ciclo histórico marcados pelas contradições DE GANHARMOS O GOVERNO EM ALIANÇA COM SETORES CONSERVADORES NUM MOMENTO DE DESCENSO DO MOVIMENTO DE MASSAS QUE FORTALECEU o viés institucional. De um lado esta composição permitiu que governo do PT produzisse avanços democráticos e defesa dos direitos humanos, conquistas sociais e distribuição de renda, articulados com um projeto desenvolvimentista e de soberania nacional num mundo multipolarizado, mas por outro lado, AO NÃO REALIZARMOS OS AVANÇOS COM AMPLA PARTICIPAÇÃO SOCIAL QUE PERMITISSE AVANÇO SIGNIFICATIVO DA CONSCIÊNCIA DO POVO e LEVOU AO adiamento de reformas estruturais, a  perda de vitalidade política, diminuição da intensidade da militância a recuos ideológicos E A PERDA DE ESPAÇO PARA CONSERVADORES E CORRUPTOS QUE AMPLIARAM SEU ESPAÇO NO GOVERNO.

O desfecho desse processo foi traumático, com a perda do mandato da Presidenta Dilma através de um impeachment sem crime político, com a criminalização do PT e do ex-Presidente Lula sem provas ou apenas baseado em “convicções” e perseguição por parte importante do poder judiciário e da mídia, que mobilizou segmentos sociais contra o PT como nunca antes vistos na história. O partido ficou atônito e sem reação diante da ofensiva de direita, do golpe civil de Estado e do ressurgimento de valores nazi-fascista na sociedade, o que PERMITIU uma ofensiva neoliberal sem precedentes iniciada pelo governo golpista com apoio das forças conservadoras, retirando direitos sociais e dos trabalhadores, implantando reformas culturais através das mudanças na educação (especialmente no ensino médio), no aprofundamento da crise econômica, no retorno da repressão de Estado contra as liberdades democráticas e no encobrimento da corrupção para manter as mesmas elites políticas no poder.

Muitas pessoas que se mobilizaram contra o PT estão se sentindo traídas pelo governo golpista, o que não os faz defensores do nosso partido. A militância de esquerda assumiu o discurso de vítima e se restringe em apontar as contradições dos golpistas nas redes sociais falando quase que exclusivamente para si mesmo, com receio e sem o ímpeto da disputa política que encantou os militantes nas épocas anteriores. Em meio a isso tudo voltou-se também com o debate da unidade política de esquerda através dos fóruns e das frentes de luta, organizando mobilizações e pautas reivindicatórias e ocupando o espaço democráticos das ruas, que havia recuado no período anterior.

É nesse sentido que 2017 é um ano chave para os desdobramentos futuros, porque não tem eleições e o desafio é se a esquerda vai se mobilizar pensando apenas no processo eleitoral do ano seguinte (2018) ou terá uma visão mais estratégica de reposicionamento dos movimentos sociais e políticos para um novo período de luta de classes.

A PAUTA RADICAL NEOLIBERAL RETIRANDO DIREITOS DOS TRABALHADORES, PREVIDENCIÁRIOS E AFETANDO A JORNADA DE TRABALHO; A RETIRADA DE DIREITOS SOCIAIS COM AS POLÍTICAS DE ENFRAQUECIMENTO E PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA PÚBLICA, ETC; A POLÍTICA DE DESNACIONALIZAÇÃO E PRIVATIZAÇÃO DE NOSSO PARQUE PRODUTIVO LEVARÃO AO AGRAVAMENTO DAS CONDIÇÕES DE VIDA DO NOSSO POVO. MAS POR SI SÓ NÃO PROMOVERÁ O AVANÇO DA CONSCIÊNCIA POLÍTICA

Apesar de haver eleições internas no PT em 2017, na qual espera-se a vitória das forças de esquerda que compõe o campo Muda PT em nível nacional, a Militância Socialista quer se somar as forças e movimentos que estão se organizando para ocupar às ruas principalmente a partir de março deste ano, começando pelo dia 08 de março, dia internacional de luta pela liberdade e pela emancipação das mulheres, contra os valores machistas, contra o feminicídio e contra a perda dos direitos sociais e trabalhistas que afetam todos os trabalhadores e trabalhadoras. Depois haverá a chamada POR uma greve geral a partir da educação, no dia 15 de março, “greve geral da educação” e que precisa ser reforçada por todas as categorias.
Precisamos Do engajamento de todos e todas para transformar essas mobilizações num março vermelho e seguir mobilizando, dialogando, conciliando as pautas específicas e as divergências internas legítimas pela ocupação de espaço, sem perder o foco estratégico.

Por isso, vamos nos engajar na organização dessas lutas, no seu local de trabalho, no seu sindicato, no movimento social que você participa, nos núcleos da Frente Brasil Popular e outros fóruns de luta da sua cidade e do seu estado, ajudando na organização, na mobilização e no processo de reposicionamento e unificação das lutas de esquerda no Brasil.

DIRETAS JÁ - FORA TEMER
CONTRA OS PRIVILÉGIOS DAS ELITES BURGUESAS
NENHUM DIREITO A MENOS
    DIREITO DOS APOSENTADOS E TRABALHADORES
    DIREITOS DAS MULHERES
BRASIL PARA OS BRASILEIROS.

Coordenação estadual da Militância Socialista de Santa Catarina