quarta-feira, 25 de março de 2009

conferência da Esquerda Socialista do PT


Vai acontecer, dias 3 e 4 de abril, a I Conferência Nacional da Esquerda Socialista do PT, que estamos organizando em conjunto com a Articulação de Esquerda. Será na sede do Sindicato dos Professores de São Paulo - Simpro. A Mesa de abertura já está confirmada, com a participação de Emir Sader, João Pedro Stedile, Pe. Benedito Ferraro e Antonio Carlos Spis.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Presidente electo de El Salvador viajará esta semana a Brasil




San Salvador, 17 Mar. ABN.- El presidente electo de El Salvador, Mauricio Funes, viajará este jueves a Brasil para reunirse con el mandatario Luiz Inácio Lula da Silva, en su primer viaje al extranjero desde su victoria del domingo en las urnas.
La visita a Lula será la primera que efectúa Funes desde la victoria del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional (FMLN), con 51,3% de los sufragios el pasado 15 de marzo, ante el aspirante presidencial de la derechista Alianza Republicana Nacionalista (Arena), Rodrigo Ávila.
Funes declaró en reiteradas ocasiones que el gobierno de Lula, a quien además considera un amigo cercano, representa un modelo y un referente a seguir para su gestión presidencial que iniciará el 1 de junio próximo por un período de cinco años.
Asimismo, el Presidente electo se reunirá en El Salvador con el secretario adjunto de Estado para el Hemisferio Occidental de Estados Unidos, Thomas Shannon, aunque todavía no se precisó la fecha, informó la agencia de noticias AFP.
En el caso de Estados Unidos, Funes prometió mantener 'una buena relación' con la nación estadounidense, teniendo en cuenta que en ese país viven 2,5 millones de un total de 2,8 millones de salvadoreños y salvadoreñas residentes en el exterior.
Esos inmigrantes constituyeron un pilar importante para el sostenimiento de la economía de El Salvador a través del envío de las remesas familiares, que en 2008, con casi 4 mil millones de dólares, significaron 17% del Producto Interno Bruto (PIB) nacional.

terça-feira, 10 de março de 2009

Crise: o Brasil e as Alternativas


Desde o segundo semestre de 2008, assistimos, lemos e ouvimos diariamente uma avalanche de informações sobre o mercado financeiro, as bolsas de valores, a falência de grandes empresas e de bancos e a mobilização política para resolver a crise mundial.

Desde os anos 80, a ampliação do sistema financeiro internacional baseado na tecnologia da informação (Internet) e sem controle público resultou em sucessivas crises em países periféricos como a Rússia, México e Argentina, com reflexos no Brasil. Já a atual crise ocorre no centro do sistema capitalista e financeiro, ou seja, nos EUA. Ela se originou no sistema imobiliário, atingiu o sistema financeiro e rapidamente se espalhou para todos os setores da economia.

A explicação do mecanismo que a originou pode ser simplificada da seguinte forma:
a) Um cidadão deposita U$$ 1 dólar no banco;
b) O banco empresta esse único dólar para dez pessoas (sem lastro, ou seja, sem que exista esse dinheiro. Apenas na confiança de que nem todos irão sacar ao mesmo tempo, empresta-se o mesmo dólar para muitas pessoas);
c) Em troca, o banco cobra um juro de 5% ao ano para as empresas que têm poder de pagar (baixo risco) e cobra 15% para pessoas físicas com baixa renda (maior risco);
d) Os maiores investidores nesta ciranda foram os fundos de pensão, que passaram a comprar ações de grandes empresas e assegurar aos bancos o risco dos empréstimos;
e) A partir do momento que a maior empresa de seguros faliu (AIG), ruiu toda a ciranda como um castelo de cartas.

Na prática, é importante entender o significado dos seguintes termos:
Suprime: dinheiro emprestado aos mais pobres com altos juros;
Derivativos: créditos suprime vendidos de um banco para outro, com altos juros;
AIG: seguradora que garante a transação destes derivativos. Sua falência desencadeou a atual crise.

Para enfrentar um problema, primeiro devemos entendê-lo. No caso da crise que estamos tratando, não há um consenso sobre sua natureza, o que resulta numa polêmica sobre suas saídas. Existem quatro grandes caracterizações desta crise (TIPO DE CRISE - CARACTERÍSTICAS - ALTERNATIVAS - ATORES ):
Conjuntural - A crise é passageira e causada por maus negócios - Será superada em pouco tempo e, depois de alguns ajustes, voltará o crescimento - Setores da mídia como a Rede Globo e algumas federações de empresários.
Neoliberal - Falência do modelo de auto-regulação do mercado com a mínima participação estatal - Fortalecimento do Estado através de fortes investimentos no setor financeiro, industrial, infra-estrutura e social para reaquecer o mercado - Chamado grupo de keynesianos, social-democratas e desenvolvimentistas
Estrutural - Os mecanismos de acumulação de produção, das relações de classe e entre os países estão defasados - É preciso “Refundar o Capitalismo”, adotando medidas de regulação do mercado financeiro, energias renováveis e distribuição de renda - Democratas norte-americanos, especialmente a equipe do ex-presidente Clinton e da ONU
Sistêmica - O sistema capitalista está falido e chegou ao seu limite de expansão - Construir o socialismo ou uma contra hegemonia a partir de experiências localizadas, negando uma lógica central - Teóricos neo-marxistas

Provavelmente, nenhuma dessas análises é totalmente verdadeira. O mais provável é que a crise seja um pouco de cada uma delas, assim como as saídas, ainda que se precise apostar numa das lógicas como sendo a principal e sem desconsiderar as demais.




Os governos e a crise

Existem algumas outras avaliações e é importante verificar o posicionamento de alguns governos diante desta crise:

- Os EUA é o centro da crise cujas conseqüências afetam todo o mundo. O novo governo de Barak Obama atua para estanca-la o mais rápido possível, mas sabe que terá que reestruturar-se interna e externamente, e que mesmo assim terá muitas perdas e demandará um longo período de recuperação;
- Na Europa, o governo francês de Nicolas Sarkozi tenta imprimir certa liderança através de medidas ainda mais protecionistas, autoritárias e xenófobas (contra imigrantes estrangeiros);
- Os chamados BRIC´s (Brasil, Rússia, Índia e China), considerados os países em desenvolvimento no período anterior à crise, vislumbram esta situação como uma oportunidade para se posicionar ainda melhor internacionalmente.

A crise no Brasil

Quanto aos efeitos da crise no Brasil, é importante destacar que ela se dá com menor intensidade que em outros países. Se ocorresse em outra época, principalmente nos governos neoliberais de Collor, Itamar ou FHC, o efeito teria sido muito maior: primeiro, porque o Brasil estaria mais dependente dos EUA (no início do governo Lula os EUA eram responsáveis por 40% do mercado externo brasileiro, hoje é apenas 26%); segundo, porque os bancos e grandes empresas teriam sido privatizadas e o governo não teria poder para investir na economia; em terceiro lugar, não teria mudado o perfil da dívida externa brasileira e não haveria a valorização do real. Portanto, não contaríamos com reservas cambiais para fazer frente à desvalorização geral da economia internacional; e, um quarto ponto, não haveria distribuição de renda, resultando em menos mercado interno para garantir o consumo e manter a produção.

Ainda que o Brasil não esteja imune à crise, o impacto foi menor, e as expectativas de saídas são maiores em conseqüência de quatro grandes mudanças que diferenciou o atual governo petista dos governos anteriores: 1) diversificação do mercado internacional; 2) fim das privatizações, fortalecimento das estatais e investimentos como o PAC; 3) fim da dependência relativa à dívida externa; 4) maior distribuição de renda através do aumento do salário mínimo, programa bolsa família, aumento do emprego e outros programas sociais.

É importante observar ainda algumas questões:

É preciso entender a crise, promover debates e observar seus efeitos e sua ação cotidiana no seu negócio ou na sua organização;
Também é importante debater soluções coletivas. Uma situação complexa exige respostas complexas;
Não é recomendado apostas de alto risco, mas sim atuar em diferentes frentes, planejar e avaliar permanentemente a fim de corrigir constantemente os problemas;
É importante fazer planejamentos a longo e curto prazo, apontar estratégias e não se descuidar no dia-a-dia;
É preciso definir pautas políticas para evitar reveses nos direitos dos trabalhadores e propor leis para avançar nossas lutas;
Aumentar o crédito subsidiado para a agricultura familiar e a economia solidária, como por exemplo tomar emprestado R$ 1 mil, devolver R$ 500 e manter na economia local os outros R$ 500.

Esperamos ter contribuído humildemente com este debate, de maneira simples e didática, sem dispensar seu aprofundamento para dar conta de sua complexidade.


Professor Pedro Uczai – deputado estadual (PT-SC)